quarta-feira, 2 de outubro de 2013

EDIÇÃO E FINALIZAÇÃO DE VÍDEO

Pessoal, estou postando algumas conversas que eu tive com alguns profissionais do audiovisual, analisando o porque de atuarmos num segmento tão importante e haver tão pouca informação quanto ao mercado de trabalho local e seus profissionais. No momento este blog é para colocar por escrito algumas dessas conversas para que os pensamentos possam ajudar nessa reflexão. As fotos são apenas decorativas.

E hoje a conversa é sobre a edição e finalização da peça audiovisual (Para os que não são do meio, a peça audiovisual é qualquer vídeo; longa, curta, docTv, institucional ou VT comercial).




A maioria compreende que o resultado de uma gravação ou filmagem só se justifica quando a peça é editada, finalizada e pode ser vista pelo público a que se destina. Em termos comerciais, um cliente se orgulha de ter um Walter Carvalho fotografando sua peça, ou um Fernando Meireles na direção, mas ele só se satisfaz em definitivo com a peça pronta. Ele só efetiva o pagamento final, demonstração última do seu agrado, quando recebe o BluRay, DVD, pendrive, com a peça pronta, ou vê sua peça no veículo destinado, TV, internet ou outro. Isto é fato.
Para que isso seja possível é necessário que todo o material gravado, imagem e som, seja trabalhado na ilha de edição pelo editor e finalizado na mídia requerida, sem isso não há pagamento, e o responsável pela produtora terá que arcar com os custos do Walter Carvalho e do Fernando Meireles sozinho, o que evidentemente refletirá nos salários da equipe, não tão famosa assim.
Então a questão é a seguinte; se o editor tem toda essa importância para o dono da produtora, para a equipe inclusive, porque ele é quem vai valorizar todo o trabalho do set, porque estamos cada vez em menor número, somos cada vez menos valorizados e em alguns casos, chegamos nem a receber o devido pagamento? O audiovisual é um trabalho de equipe desde a sua concepção, mas para algumas pessoas tudo se resume ao set, e cansamos de ouvir frases como esta; "gastei toda a verba com a gravação, só tenho isso pra edição…", ou "temos só dois dias pra editar, tem que virar a noite, mas só vou poder te pagar os dois dias…" ou "a grana é pouca mas o teu nome vai ficar bem visto…" (lembrando que reconhecimento de trabalhador é pagamento).
Além desses desestímulos para um profissional vital para o audiovisual como o editor, vou citar algumas distorções do mercado audiovisual como um todo, que ampliaram o quadro de insatisfação, fizeram e fazem muitos profissionais bons abandonarem seu mercado natal, a atividade e às vezes até o audiovisual.


O Formato HD, 2K e 4K - Primeira distorção

O digital foi um grande avanço para a democratização do audiovisual. A melhoria da imagem e a simplificação do equipamento, tornou possível a difusão do audiovisual para todo mundo. Já na época da fita miniDV o acesso ao equipamento possibilitou diversas pessoas a ingressarem na atividade, uns de forma profissional e muitos de forma amadora. Uma festa de colégio nunca mais foi a mesma depois da popularização das câmeras.
Popularizou-se também, consequentemente, a edição por computador, conhecida como edição offline. O próprio computador e a internet passaram a ser comuns em lares e nas empresas, ratificando o que se passou a chamar de revolução do digital.
Pouco tempo depois temos a chegada do formato high definition, ou popularmente HD. A melhoria da imagem estendeu-se inclusive aos televisores domésticos e às pequenas câmeras de bolso, e mesmo sem entender exatamente o que significava, o público aderiu e tornou-se o formato padrão do mercado, tanto profissional quanto amador. Com a banda larga a prática de se registrar em vídeo ganhou o estímulo da internet, possibilitando a exibição dos vídeos e este é o quadro que temos hoje.
A edição offline profissional, que antes dependia de um equipamento caro e de uma placa de captura cara, no início da era digital (miniDV e DVcam) ganha impulso e fixa as bases de uma atividade econômica importante, que passa a atingir todas as classes e segmentos, e não mais apenas o cinema ou a TV.
A chegada do HD amplia a qualidade da imagem e por conseguinte amplia muito o trabalho do editor, que passa a trabalhar com uma imagem bem maior e mais pesada (5x mais), que leva mais tempo de processamento, que exige equipamento melhor e que ainda provem de diferentes câmeras com configurações diversas. Para uma atividade profissional recém instalada, essas modificações em tão pouco tempo mostraram-se danosas. O mercado ficou confuso mas pouca atenção se deu para as reclamações do editor.
Um tempo depois chega as DSLR (câmeras fotográficas profissionais que filmam com qualidade), e então a coisa complicou ainda mais. Pelo custo relativamente baixo do equipamento, os sets passaram a usar 3, 4 ou mais câmeras para gravar a mesma cena. Um grande avanço, sem dúvida, para o audiovisual, a despeito do aumento no volume de material na ilha e do trabalho do editor.

Agora a primeira distorção: mesmo com aumento no volume de material gravado (digital favorece essa prática), com aumento do peso dos arquivos, aumento do tempo de descarga e processamento e aumento do número de câmeras, que por conseguinte aumenta também o volume de material gravado, o editor não teve aumento nem de tempo, nem de remuneração. E ao contrário, como a atividade se popularizou, mesmo de forma amadora, o empregador teve a impressão de ter mais opções, e a remuneração caiu ainda mais. Ou seja, o trabalho se tornou mais complexo, e a remuneração do profissional diminuiu.

Ninguém quer saber o que rola na ilha, ninguém liga, ou melhor ligava. Com o formato 2K e 4K, duas e quatro vezes respectivamente, maior que o HD, o diretor está começando a se preocupar. Não com o profissional nem com sua remuneração, mas com o tempo que as coisas estão levando para serem finalizadas. Agora prestam atenção na ilha, quem sabe num futuro próximo lembram dos editores…

No próximo post vou falar de outras distorções, essa é só uma… tem mais...

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